jueves, 24 de junio de 2010

M, de memoria



Los libros saben de memoria

miles de poemas.
¡Qué memoria!
Recordar, así, vale la pena.
Vale la pena el desperdicio,
Ulises volvió de Troya,
así como dijo Dante,
el cielo no vale una historia.
Un día, el diablo vino
a seducir a un doctor Fausto.
Byron era verdadero.
Fernando, pessoa, era falso.
Mallarmé era tan pálido,
que parecía una página.
Rimbaud se largó a África,
Hemingway de espejismos.
Los libros saben de todo
Ya saben de este dilema.
Sólo no saben que, en el fondo,
leer no pasa de leyenda.

(De Distraídos venceremos , 1987)

Paulo Leminski
(Brasil, Curitiba, 1944- 1989)
(Traducción: Rodolfo Mata)

(el poeta y su trabajo 3,
México, Primavera 2001)
M, de memória

Os livros sabem de cor
milhares de poemas.
Que memória!
Lembrar, assim, vale a pena.
Vale a pena o desperdício,
Ulisses voltou de Tróia,
assim como Dante disse,
o céu não vale uma história.
Um dia, o diabo veio
seduzir um doutor Fausto.
Byron era verdadeiro.
Fernando, pessoa, era falso.
Mallarmé era tão pálido,
mais parecia uma página.
Rimbaud se mandou pra África,
Hemingway de miragens.
Os livros sabem de tudo
Já sabem deste dilema.
Só não sabem que, no fundo,
ler não passa de uma lenda.