lunes, 8 de marzo de 2010

BALADA DE LAS TRES MUJERES DEL JABÓN DE TOCADOR ARAXÁ

Las tres mujeres del jabón de tocador Araxá me invocan,
[me trastornan, me hipnotizan.
¡Oh, las tres mujeres del jabón de tocador Araxá a las 4 de la tarde!
¡Mi reino por las tres mujeres del jabón de tocador Araxá!

Que otros, no yo, corten la piedra
Para brutales adorarlas,
Oh morenitas ácidas,
Mulatas color de luna volviéndose color de plata
O celestes africanas:
¡Que yo vivo, padezco y muero sólo por las tres mujeres
[del jabón de tocador Araxá!

¿Son amigas, son hermanas, son amantes las tres mujeres
[del jabón de tocador Araxá?
¿Son prostitutas, son declamadoras, son acróbatas?
¿Son las tres Marías?

Mi Dios, ¿serán las tres Marías?

La más desnuda es mariposa dorada.
Si la segunda se casase, yo me indignaba con la vida, me daba
[a la bebida y nunca más telefoneaba.
Pero si la tercera muriese... Oh, entonces, ¡nunca más mi vida
[antaño hubiera sido un festín!

Si me preguntaran: ¿Quieres ser estrella? ¿quieres ser rey?
[¿quieres una isla en el Pacífico? ¿un bungalow en Copacabana?
Yo respondería: No quiero nada de eso, tetrarca. Yo sólo quiero
[a las tres mujeres del jabón de tocador Araxá:
¡Mi reino por las tres mujeres del jabón de tocador Araxá!

Teresópolis, 1931


Manuel Bandeira
(Brasil, Recife, 1886- Rio de Janeiro, 1968)
(Traducción de Rodolfo Alonso)
BALADA DAS TRÊS MULHERES DO SABONETE ARAXÁ

As três mulheres do sabonete Araxá me invocam, me bouleversam, me hipnotizam,
Oh, as três mulheres do sabonete Araxá às 4 da tarde!
O meu reino pelas três mulheres tio sabonete Araxá!

Que outros, não eu, a pedra cortem
Para brutais vos adorarem,
Ó brancaranas azedas,
Mulatas cor da lua vêm saindo cor de prata
Ou celestes africanas:
Que eu vivo, padeço e morro pelas três mulheres do sabonete Araxá!
São amigas, são irmãs, são amantes as três mulheres do sabonete Araxá?
São prostitutas, são declamadoras, são acrobatas?

São as três Marias?

Meu Deus,
serão as três Marias?

A mais nua é doirada borboleta.
Se a segunda casasse, eu ficava safado da vida, dava pra beber e nunca mais telefonava,
Mas se a terceira morresse... Oh, então, nunca mais a minha vida outrora teria sido um festim!

Se me perguntassem: Queres ser estrela? queres ser rei?
Queres uma ilha no Pacífico? Um bangalô em Copacabana?

Eu responderia: Não quero nada disso, tetrarca.
Eu só quero as três mulheres do sabonete Araxá:
O meu reino pelas três mulheres ao sabonete Araxá!